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A Menina Submersa: Memórias — Caitlín R. Kiernan

A Menina SubmersaTítulo: A Menina Submersa: Memórias
Autora: Caitlín R. Kiernan
Editora: Darkside
Ano: 2012
Páginas: 320
Classificação: 4/5
Skoob | Goodreads

Sinopse: Com uma narração intrigante, não-linear e uma prosa magnífica, Caitlín vai moldando a sua obsessiva personagem. Imp é uma narradora não-confiável e que testa o leitor durante toda a viagem, interrompe a si mesma, insere contos que escreveu, pedaços de poesia, descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários durante a narrativa. Ao fazer isso, a autora consegue criar algo inteiramente novo dentro do mundo do horror, da fantasia e do thriller psicológico.

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“A Menina Submersa: Memórias” me ganhou pela capa. Tanto a capa incrível da edição especial em capa dura como pela edição “comum” (essa aqui), ambas da incrível Editora Darkside.

Logo na primeira página o livro me fisgou completamente quando a personagem principal relata que sua mãe morreu no Hospital Butler para Lunáticos. Assim como sua mãe e sua avó, ela se apresenta também como louca. A sua esquizofrenia reflete diretamente na maneira com a qual a história é conduzida. A narração do livro se dá pela personagem principal, India Morgan Phelps (ou Imp) enquanto ela escreve sua “história de fantasmas” mas, além de não ser cronologicamente linear, o ponto de vista de Imp oscila entre uma visão em terceira pessoa de si mesma, uma visão em primeira pessoa de seu ato de escrever e uma visão em primeira pessoa imersa em suas memórias. Para ajudar, Imp também não tem muita certeza sobre o que é verdade ou o que é invenção de sua cabeça (há até mesmo um trecho do livro em que ela conta, simultâneamente, duas versões de uma mesma história).

Pela falta de cronologia linear no livro, a resenha também vai ficar um tanto “aos pedaços”.

O título “A Menina Submersa” vem da relação de Imo com o quadro homônimo do pintor Phillip George Saltonstall, datado de 1898, ela descreve seus contatos com este quadro e as impressões que ela teve da obra. Imp se encanta com o mistério que envolve a pintura.

Outra peça chave no livro é Eva Canning. Eva é, ao mesmo tempo, uma sereia e um lobo e torna-se um fantasma. (Vale ressaltar que, nesta narrativa, a sereia não é colocada como pessoa-metade-peixe e sim como uma mulher com poderes de encantamento capazes de atrair alguém para a morte). Imp encontra Eva duas vezes pela primeira vez. E, ao levar Eva para casa, Imp perde Abalyn, sua namorada.

O papel de Abalyn é fundamental à vida de Imp. O romance do relacionamento entre as duas é pouquíssimo explorado, enquanto que seu papel como alicerce de Imp se destaca. É Abalyn quem é capaz de manter India sã.

Em meio às memórias de acontecimentos descansam também contos de Imp, pedaços de poesia que ela guarda, descrições e análises de quadros e artistas — reais e imaginários. E acredito que seja isso que deixa o livro tão interessante. Estes “itens” — o primeiro contato da personagem com a obra A Menina Submersa, por exemplo — que geralmente são deixados de fora ou são meramente comentados, apesar de terem exercido influência sobre a vida da personagem, estão ali presentes, descritos pela própria detentoda das memórias, de seu jeito confuso e esquizofrênico.

 

Cada um dos elementos da história trás consigo uma simbologia muito forte. Mas, para a minha felicidade, tudo está muito bem explicado na narrativa, não havendo necessidade de passar horas refletindo sobre o que você acabou de ler para entender o que a autora quis apresentar.

Apesar de ter gostado muito de como a esquizofrenia da personagem se reflete em sua narrativa e mesmo sabendo que, sem as particularidades da personagem impressas na forma da narrativa, essa história não existiria; esse fluxo não contínuo me incomoda um pouco, diminuindo meu ritmo de leitura e me causando um pouco de confusão mental. Então por isso decidi pela classificação 4 de 5.

 

Quem já leu “A Menina Submersa”, deixa sua impressão nos comentários que vou adorar saber!

52 Livros em 52 Semanas


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4 Comentários

  • Responder Igor Tiago

    Já li alguns livros que contém uma linha não cronológica maluca, às vezes isso dá uma expressão tão forte ao livro que acabamos sem entender muita coisa durante a leitura, deve ser bem difícil resenha um livro assim hahahaha. Mas eu morro de vontade de ler esse livro pelo simples fato dele ser lindíssimo, acho que é o mesmo motivo que você começou a ler né? Eu tenho o livro Onde Cantam Os Pássaros, em breve vou ler <3

    19 de fevereiro de 2016 às 16:35
  • Responder Lorraine Faria

    Eu também fico meio pirada as vezes com a falta de cronologia não linear!! Até curto quando tem uma apresentação breve do futuro e volta pra explicar depois, mas quando é muuito vai e volta eu fico meio perdida também haha
    beeeijo :*

    19 de fevereiro de 2016 às 20:34
  • Responder Mariana Abramo

    cara… eh tudo uma questão de estilo… eu infelizmente não consigo me adaptar com livros assim… 🙁
    acredito muito que a trama seja boa, a escrita, tudo… mas é uma questão de identificação…
    agora, cara… achei esse seu projeto super ousado!!! 52 semanas, 52 livros? 1 por semana??? UAUUUUUUUUUUUUUU
    ano passado eu li 46 mas cara… foi corrido pakaaaaaaaas… nunca tinha lido tanto… 52 eu não aguento essa pressão não 😛
    parabéns
    bjos

    21 de fevereiro de 2016 às 15:23
  • Responder Roberta

    |Olá!! Gostaria primeiro de parabenizar pelo blog, super lindo! Vi a capa desse livro na leitura e me apaixonei, depois de ler sua resenha fiquei com mais vontade de ler 🙂

    Beijinho

    http://eventualobradeficcao.blogspot.com.br/

    22 de fevereiro de 2016 às 14:24
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