Acompanhe:
Browsing Tag:

Alessandro d’Avenia

    Livros

    O que o inferno não é — Alessandro D’Avenia

    Título: O que o inferno não é
    Autor: Alessandro D’Avenia
    Primeira publicação: 2014
    Editora: Beltrand Brasil
    Ano: 2017
    Páginas: 384
    Classificação: 6/5
    Skoob | Goodreads

    Sinopse: A escola chegou ao fim, e o verão se abre à frente de Federico, tal como Palermo, sua deslumbrante e misteriosa cidade. Enquanto se prepara para estudar em Oxford, o garoto de 17 anos encontra 3P, o professor de religião, padre Pino Puglisi. Ele não se ofende, sorri. 3P o convida a ajudá-lo com as crianças do seu bairro antes que ele viaje. Quando Federico atravessa a passagem de nível que separa Brancaccio do restante da cidade, ainda não sabe que nesse exato instante começa sua nova vida, a verdadeira. À noite, volta para casa sem bicicleta, com os lábios arrebentados e a sensação de ter descoberto uma realidade totalmente estranha, mas que lhe concerne de perto. É o emaranhado de ruelas controladas pela Cosa Nostra. É também onde moram muitos que não renunciam à esperança de uma vida que os leve tão longe quanto a bola que recebe um chute muito forte.

    ~

    Eu já falei pra vocês sobre meu amor por Alessandro D’Avenia aqui, e desde que ele lançou seu terceiro livro “Ciò che inferno non è”, em 2014, eu venho pentelhando a editora por e-mail pra saber quando a tradução seria publicada. Em algum momento me falaram que sairia em 2016 e, quando 2016 acabou e nada desse livro eu comecei a considerar ler o livro em italiano mesmo sem entender direito porque eu não aguentava mais esperar, e fiquei mais agoniada ainda com o lançamento do quarto livro do autor.

    Eis que por completo acaso eu descobri que a tradução seria lançada dia 15 de Março. Obrigada mundo! Comprei o livro junto com mais um monte na promoção de dia da mulher da Saraiva e ignorei solenemente todos os outros pra ler esse.

     

    — No paraíso ou no inferno a gente está ou não está. Não vai a eles.
    — O que quer dizer?
    — Que estão dentro de nós, depende do espaço que deixamos para um ou outro.

    Em O que o inferno não é conhecemos Federico, um jovem apaixonado por literatura clássica Italiana e que vive em Palermo. Está concluindo o ensino médio e com viagem marcada para estudar na Inglaterra no verão. Mas suas prioridades mudam quando seu professor de religião, o parri Pino, pede ajuda com as crianças de Brancaccio, um bairro pobre, na periferia da cidade.

    O primeiro contato de Federico com Brancaccio lhe rende um lábio partido e sua bicicleta futada, mas também lhe dá um belo choque de realidade, que faz com que ele veja seus privilégios e como existem pessoas em situação bastante vulnerável em sua própria cidade. Ele desiste de seu intercâmbio e surpreende sua família toda ao mostrar quão determinado está em fazer o que acredita ser o correto.

    Em Brancaccio Federico conhece Lucia, por quem acaba se apaixonando, e conhece também crianças com os mais diversos problemas e sonhos. Mas nós, além de assistirmos essas cenas envolvendo o universo adolescente e as interações entre eles, assistimos também os mafiosos do bairro decidirem como lidar com os seus próprios problemas.

    O que o inferno não é carrega romance, religiosidade e conflitos políticos sem ser qualquer uma dessas coisas. Em suas trezentas e tantas páginas o autor nos trás um ponto de vista muito importante e interessante sobre como temos a escolha de “fazer a coisa certa”, ou apenas fazer algo para melhorar. E Alessandro D’Avenia faz isso de uma forma que eu nem sei como descrever. Eu queria me conter e ler com calma, já que devorei “Coisas que ninguém sabe” e acabei não aproveitando tanto do livro por conta da expectativa alta. Mas eu não precisei controlar meu ritmo de leitura com “O que o inferno não é” porque o próprio livro fazia isso por mim, não por ser um livro lento. Mas por me obrigar a fechar o livro e digerir o que eu havia acabado de ler. Eu sinceramente perdi as contas de quantas vezes senti arrepios percorrerem meu corpo todo, impressionada pela profundidade para a qual essas palavras me levavam.

    Todos pensam que é a vida que nos deve fazer felizes, mas uma coisa aprendi: para ser feliz, basta apenas ter coragem.

     

    Se eu só pudesse recomendar um livro na vida pra vocês, é esse.


    Compartilhe:
    Comente: