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Livros

Tudo se ilumina — Jonathan Safran Foer

Tudo se ilumina Book Cover Tudo se ilumina
Jonathan Safran Foer
Ficção histórica
Rocco
2017
365

O jovem escritor é judeu e sempre quis saber detalhes da história de seu avô, um ucraniano que teve toda a sua família assassinada pelos nazistas e só escapou da morte graças à ajuda de uma certa Augustine, que o teria escondido dos alemães. Obcecado pela origem de sua família, o rapaz foi à Ucrânia tentar descobrir o paradeiro daquela mulher. Ele não tinha informação alguma para lhe servir de guia, sabia apenas que seu avô era de Trachimbrod, uma pequena aldeia judaica. Fora isso, ele contava com uma fotografia antiga que supostamente mostrava Augustine e seus parentes. A idéia de Safran Foer era voltar da Ucrânia e escrever um livro de não-ficção sobre seu avô. Entretanto, a viagem não lhe rendeu as respostas que ele desejava. Foi quando ele teve a idéia de misturar ficção e realidade num único livro, preenchendo as lacunas de sua viagem e da história de sua família com fatos inventados

Safran Foer tem um jeitinho todo especial de bagunçar a minha cabeça.

Anos atrás eu li Extremamente Alto e Incrivelmente Perto e amei. Aí, alguns meses atrás eu me decepcionei bastante com Aqui Estou, mas isso não me impediu de dar mais uma chance para o autor em Tudo se Ilumina.

Tudo se ilumina foi seu livro de estréia, e é uma espécie de ficção autobiográfica (se é que isso pode existir).

No livro, conhecemos Jonathan, um jovem escritor que viaja à Ucrânia para pesquisar sobre a vida de seu avô, que teve toda a família assassinada por nazistas quando a cidade de Trachimbrod foi devastada durante a Segunda Guerra Mundial. É o desejo de conhecer e registrar a vida de seu avô que o leva a conhecer Alexander Perchov e sua família, que serão os guias de Jonathan durante as buscas por informações na Ucrânia.

Assim como em Aqui Estou, Jonathan fragmenta sua narrativa como um louco: a trama principal é a busca por respostas sobre seu avô – e principalmente a busca por Augustine, a mulher a quem foi atribuída sua salvação. Mas também conhecemos a história de seu avô e Herschel, a história da tataravó de Jonathan, a história da suposta Augustine e das caixas rotuladas em sua casa, e, claro a história que se desenrola no presente da narrativa, entre Jonathan e Alexander. Além disso, o autor nos leva para flashbacks de diferentes períodos, o que pode deixar as coisas ainda mais confusas.

Tudo se ilumina carrega em suas páginas a pesada carga das cicatrizes históricas que o povo judeu e seus descendentes carregam, contextualizando-as ao nos apresentar os efeitos que elas têm nas famílias afetadas, mesmo gerações depois dos ocorridos.

A narrativa do livro se divide entre Jonathan, que relata a parte histórica e suas descobertas sobre Trachimbrod, e Alexander, que fica com a carga mais subjetiva da história (humor, desenvolvimento da amizade entre os dois, luto, arrependimento…) e usa uma narrativa confusa (pense numa pessoa cuja língua nativa é Russo tentando escrever em inglês e depois traduzido para o português!).

Em resumo: não é um dos melhores livros com temática da Segunda Guerra Mundial que eu já li (alô, Boyne, saudades!), mas tem uma forma de abordagem tão diferente, que eu realmente acho que vale a leitura! Mas vai com calma e paciência (;


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