A Menina que Tinha Dons Book Cover A Menina que Tinha Dons
M.R. Carey
Romance
Rocco - Fábrica231
2014
384
A Menina que Tinha Dons — M. R. Carey 1

Num futuro distópico, em que a maioria da humanidade foi exterminada, um grupo de crianças vive confinado numa base militar. Todas as manhãs elas aguardam em suas celas o sargento Parks vir com uma arma apontada e mais dois de seus homens para afivelá-las — tornozelos, pulsos e pescoço — à cadeira de rodas que as levará para a aula. Certa vez, Melanie, a mais inteligente delas, brincou dizendo que não iria mordê-los. Ninguém riu. Sabiam que o cheiro de carne humana era o estopim para que ela perdesse o controle e entrasse num estado de muita, muita “fome”! Eis a premissa de A menina que tinha dons, original e emocionante thriller de horror de M.R. Carey, prestigiado roteirista de HQ’s de sucesso, como Hellblazer e X-Men, título que inaugura o Fábrica231, novo selo de entretenimento da Editora Rocco.

“You can’t save people from the world. There’s nowhere else to take them.”

Eu sou completamente culpada em escolher livros pela capa e pelo nome, sem saber nada a respeito deles. E mesmo que isso seja algo com um potencial incrível para dar errado, eu tenho acertado – e muito – nas minhas escolhas aleatórias neste ano. Esse foi mais um dos que me surpreendeu completamente.

O autor de “A menina que tinha dons” é M. R. Carey, e ele escreve para nada menos que Marvel e DC, incluindo passagens por X-men, Quarteto Fantástico e Batman.
Se eu soubesse disso talvez estivesse um pouco mais preparada para o que eu encontrei. Mas não estava. E esse livro me deu uma rasteira e me deixou no chão.

A história se passa na Inglaterra. Melanie é uma menina de 10 anos que vive em uma rotina estrita do que parece ser um orfanato, com aulas todos os dias e… refeições de larvas uma vez por semana? Opa, tem algo errado aí.
Na verdade, Melanie e as outras crianças que a acompanham nas aulas, sempre amarradas às cadeiras, são espécimes de estudo que vivem em uma base militar. O mundo foi assolado por um patógeno que infecta as pessoas e toma controle de seus cérebros, fazendo com que eles, basicamente, virem zumbis que só se movem para se alimentar de carne fresca.

Entretanto existem crianças que estão infectadas mas não vivem no mesmo estado letárgico ao qual os contaminados são submetidos. Enquanto o patógeno controla completamente os cérebros que infecta, as crianças ainda mantém o controle de suas faculdades mentais, sucumbindo à fome apenas quando são estimulados por feromônios humanos.

A história do livro me chamou a atenção desde o início, mas quando deparei com uma invasão à base militar antes da metade do livro, fiquei me perguntando o que raios haveria no restante do livro, já que esperava que ele fosse se desenrolar com base no estudo dos espécimes em busca de uma cura. Mas o desenrolar foi ainda mais interessante.

A história passou de um estudo de laboratório para uma luta pela sobrevivência no mundo externo, conflitos ideológicos entre a pequena “tropa” da qual Melanie faz parte (que conta com ela – uma faminta extremamente consciente de sua condição e nem um pouco disposta a atacar alguém -, sua amada professora, o rigoroso sargento, um soldado meio molenga e uma cientista que vê Melanie como apenas um objeto de estudo), muita ação, personagens incrivelmente bem construídos e uma história bem amarrada.

Esse livro definitivamente me fará ficar de olho nas demais obras do autor (e comprar um exemplar físico para a minha estante).

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