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Acho que eu posso oficialmente me considerar a colaboradora de temas polêmicos™.

O tema deste mês no Rotaroots é “toda forma de amor” e a Stephanie me convidou a cumprir o tema deste mês. A verdade é que tem TANTO que eu quero falar que eu não faço a menor ideia de por onde começar. Então eu vou tornar esse post um pouco pessoal.

Eu tenho 23 anos, namoro há dois anos e meus pais não sabem disso porque eu namoro uma menina.

Eu nunca fui de ter aquele grude com família, fui morar longe dos meus pais aos 19 sem crise de saudades e me considero completamente independente emocionalmente (financeiramente é outra história), mas isso não torna fácil aceitar que eu tenho que esconder uma parte da minha vida de meus pais. “Ah, mas então seus pais são religiosos” Não, não são. “Ah, então eles vão aceitar” Olha, pode até ser que aceitem, mas sei que não vai ser tranquilo e não tenho nenhum preparo para lidar com isso. “Como você sabe?” Porque quando eu tinha 18 anos e tive meu primeiro relacionamento com uma menina meu pai descobriu e: Me fez entregar todas as minhas senhas de cadastros online, suspendeu meu celular, suspendeu meu acesso ao computador, cancelou meu intercâmbio, me colocou em uma psicóloga, quis me mudar de escola e me perguntou se eu ia continuar assim ou se ia “virar gente”.

O projeto “Eu te ouvi dizer”, da fotógrafa Sabrina Marthendal traz frases como “Mas é só uma fase, né?”“Não tenho preconceito desde que não se beijem na minha frente”“Meus filhos não vão entender” e outras tantas que infelizmente fazem parte do dia-a-dia de pessoas que vivem quaisquer tipo de relacionamento que não sejam o padrão imposto pela sociedade (relacionamento heterossexual monogâmico). Como seus filhos vão entender? Se você quiser eu mesma explico para eles: é um relacionamento como qualquer outro.

“Mas eu tenho direto de ser contra, é a minha opinião! Cade a liberdade de expressão?!”
Queridx, vem cá um pouquinho: agredir o colega – verbal, física ou psicologicamente – não é liberdade de expressão, ok? Eu posso não gostar de você, não quer dizer que eu tenho direito de faltar o respeito com você, muito menos de te agredir de qualquer maneira.

“Gays querem privilégios!”
Já falamos disso antes. Gays, lésbicas, bissexuais, trans, e qualquer outra pessoa que não se encaixa no “padrão” quer ser tratada como: ser humano; quer não ser tratada como se fosse apenas sua orientação (orientação, não opção. cuidado) sexual, como se por sua orientação fosse menos do que outra pessoa.

Sabe o que eu quero?

Eu quero parar de falar da minha namorada e ver as pessoas olharem para mim confusas, se perguntando se ouviram certo e depois falando alguma coisa com “seu namorado” para confirmar se ouviram certo. Quero parar de ouvir “deixa eu participar!” quando saio em público com ela. Quero poder sair hoje para jantar e não perceber nenhum olhar atravessado. Quero que todos que não se encaixam parem de ouvir que só são assim porque não pegaram o homem certo ou porque não apanharam o bastante. Quero parar de ver notícias de jovens que foram assassinados ou que se suicidaram por sofrer com qualquer tipo de violência preconceituosa. Quero parar de ver políticos aliados a religiões sendo influentes em um Estado que deveria ser Laico. Quero não ter que LUTAR para ter os mesmos direitos que outras pessoas têm. Quero parar de ter meu relacionamento deslegitimizado por não se encaixar.

Quero que amor seja visto como amor. E que seja celebrado. Venha ele na forma que vier.

Por uma sociedade menos doentia e mais amorosa.

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots. Um grupo de blogueiros que querem resgatar a era de ouro de blogosfera. Para saber mais acesse nosso grupo do facebook e o site.